Câmara Municipal: Em sessão tumultuada vereadores aprovam reajuste inflacionário para funcionários públicos municipais de Itapeva
Em sessão extraordinária tumultuada por vereadores e grupos de pressão
de servidores com divergências sobre o projeto de lei 01/2022, sobre revisão
geral anual da remuneração dos servidores públicos municipais e subsídios dos
agentes políticos, para o exercício de 2022, o plenário da Câmara Municipal de
Itapeva ficou quase lotado na manhã desta quarta-feira (19/1).
A Câmara Municipal de Itapeva, aprovou, em duas sessões extraordinárias
seguidas, projeto de lei de iniciativa do Poder Executivo concedendo a
recomposição da inflação aos servidores públicos municipais e agentes
políticos, exceto para os cargos de prefeito e vice-prefeito.
O aumento de 10,16% para entrar em vigor deve ser sancionado pelo
prefeito, Mário Sérgio Tassinari (DEM), com publicação no Diário Oficial do
Município. Em caso de veto parcial ou total, o veto deve ser apreciado pela
Câmara Municipal em sessão apropriada para manter ou derrubar o veto do
prefeito.
Logo no começo da sessão, a vereadora Débora Marcondes (PSDB) defendeu a
aprovação de uma emenda proposta excluindo do reajuste de 10,16% os cargos de
prefeito e vice-prefeito. A discussão iniciada pela vereadora se tornou
bastante acalorada, sob argumentos que o prefeito teria R$ 2.300 de reajuste
salarial com base na inflação, sendo que esta quantia supera a remuneração
recebida pela maioria dos funcionários públicos efetivos do município, em sua
maioria, recebem em média R$ 2.500 de remuneração mensal.

A vereadora Débora Marcondes, opositora ao governo do prefeito Mário
Tassinari, também alegou que existem ocupantes de cargos secretários (ocupantes
de cargos de agentes políticos por indicação) que não fazem jus ao reajuste
inflacionário, por desempenharem suas funções de forma "mais ou
menos", afirmando com isso que, os secretários descumprem suas tarefas de
trabalho no Poder Executivo, segundo sua avaliação pessoal.
A exceção, segundo palavras da própria vereadora, seria o secretário de
Saúde, Luiz Fernando Tassinari, que estava presente na sessão, e que
coincidentemente aprovou afastamento da vereadora, que é servidora pública
municipal da Saúde, para desempenhar exclusivamente suas funções no mandato de
vereadora. A medida, apesar de legal, é considerada imoral pela população.
Sob argumentos que poderia haver aumento imerecido para funcionários
públicos nomeados indicados para cargos agentes políticos do município e outros
ocupantes de cargos, inclusive vereadores, Débora Marcondes, acompanhada pelo
vereador Ronaldo Coquinho (PP) se opuseram ao reajuste inflacionário proposto
para cargos de agentes políticos do Poder Executivo, defendendo a aprovação de
uma emenda retirando todos esses cargos do reajuste inflacionário 10,16%.
Na defesa da votação da emenda, os vereadores de oposição demonstraram
desconhecimento da legislação aplicável à discussão da matéria, confundindo a
concessão de reajuste de reposição das taxas de inflação, que é direito do
servidor público municipal, com as possibilidades de aumento salarial real e
outros abonos provenientes de outras fontes de pagamento, como por exemplo
recursos do Fundeb.
Ao confundirem o projeto de lei 01/2022 com tema privativo de resoluções
que alteram os vencimentos de servidores do Poder Legislativo e vereadores, o
vereador Paulo Roberto Tarzan (DEM) chamou a atenção da vereadora Débora Marcondes
e Ronaldo Coquinho para o equívoco dos argumentos apresentados na tribuna por
ambos, sendo de imediatamente vaiado pela plateia presente de servidores
municipais da Educação que estava sendo induzida ao erro, acreditando nas
explicações dadas por ambos vereadores defensores da emenda e rateio do Fundeb
eram corretas e legalmente aplicáveis ao tema da sessão.
Débora Marcondes, alegando estar amparada por parecer jurídico da Câmara
Municipal, afirmou ainda que aprovação do projeto de reajuste inflacionário,
sem a aprovação da emenda por ela defendida, seria passível de ato de
improbidade administrativa, sem detalhar nenhuma explicação técnica sobre o
parecer mencionado.
Os vereadores Ronaldo e Débora, também acusaram o Poder Executivo de não
apresentar projeto de lei com reajuste salarial real aos servidores, dizendo
que por ser ano eleitoral a matéria teria prazo específico para apresentação e
votação junto da Câmara Municipal.
Irritados com as colocações sem fundamentos legais e provocações
políticas feitas pela vereadora Débora Marcondes e vereador Ronaldo
Coquinho, vereadora Áurea Rosa destacou que "faltou comunicação"
entre categorias de servidores e Poder Executivo na negociação dos índices de
reajustes conforme a inflação acumulada e aumento real para cada
categoria
Segundo alguns vereadores de oposição, o reajuste da inflação poderia
ter sido acima de 10,16% aos servidores, porém não apresentaram nenhum estudo
de impacto financeiro na folha de pagamento e orçamento como contraproposta
para debater a questão.
Coube ao vereador Celinho Engue (PDT) explicar que o entendimento usado
como argumento pelos opositores, em favor da emenda excluindo todos agentes
políticos do reajuste, trazidos ao plenário pela vereadora Débora Marcondes e
Ronaldo Coquinho, estavam errados, isto é, sem base jurídica e sem
condicionamento legislativo adequado às propostas defendidas por ambos.
Celinho ainda aproveitou a oportunidade para recordar que a vereadora
Débora Marcondes, quando foi candidata a deputada estadual, em 2018, usou
recursos do fundo partidário do PSDB, para contratação de parentes em sua
campanha, utilizando deste modo recursos públicos para favorecimento de
empresas de pessoas com relacionamento pessoal com a mesma. O grupo que
defendia as colocações da vereadora vaiou o vereador.
Segundo informações, existe denúncia na Corregedoria da Câmara Municipal
por quebra decoro, com base no suposto uso irregular de verbas eleitorais para
privilegiar contratação de parentes em campanha eleitoral. A denúncia não teria
prosperado na Corregedoria, por ter havido suposto acordo político na
legislatura passada com o ex-presidente da Câmara Municipal, sendo arquivada a
denúncia.
A vereadora se esquivou do assunto durante a sessão, com auxílio do
presidente da Câmara Municipal, Roberto Comeron (PSL) dizendo que o assunto não
era pertinente à discussão do projeto 01/2022, conforme regra do regimento
interno da Câmara Municipal.
O vereador Celinho ainda aproveitou seu discurso para comunicar aos
presentes que o Poder Executivo encaminhou projeto de aumento real do salário
dos funcionários públicos municiais, tendo como piso salarial geral R$ 1.300,00
e possibilidade de aumento real para todos servidores, sem prejuízo de outros
direitos previstos em legislação específica, como por exemplo abonos especiais
de categorias, adicional de insalubridade e periculosidade funcional, e aumento
de vencimentos por progressão pela via acadêmica, no caso da Educação.
Em seguida, o vereador Tarzan, expondo as diferenças jurídicas entre os
projetos de reajuste inflacionário e aumento real de vencimentos, refutou as
colocações de servidores da Educação que defendiam, além do aumento real,
também o rateio do Fundeb. O vereador alegou que essa matéria é passível de
projeto legislativo municipal específico, concedendo abono aos servidores da
Educação, desde que haja recursos orçamentários previstos para esta finalidade
disponíveis.
Ao final da sessão, Roberto Comeron anunciou que haverá nova sessão
extraordinária na próxima sexta-feira (21/1) às 17h, para apreciação do projeto
de aumento real proposto pelo Poder Executivo, que foi apresentado hoje no
Poder Legislativo.
O presidente da Câmara Municipal enfatizou que havendo parecer do
departamento jurídico do Poder Legislativo sobre o impacto financeiro na folha
de pagamento, o projeto será pautado para esta sessão extraordinária.
- Maiores informações e repercussão da votação do reajuste e aumento de
salários dos servidores públicos de Itapeva na próxima edição impressa no
Jornal No Alvo.

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