Editorial: As Derrotas dos Prefeitos na Guerra de Narrativas em Itapeva
A comunicação política é uma espécie de jogo de xadrez em quatro dimensões, ou
seja, os movimentos das peças no tabuleiro são apenas uma parte do que se pode
ver.
Na comunicação política, existem aqueles que influenciam e os que são
influenciados. É justamente nesse quesito que a comunicação política de todos
os prefeitos com a população sempre foi um fracasso em Itapeva.
Seguindo os mesmos passos de se tornar refém da opinião negativa da população,
como ocorreu com os últimos dois antecessores, o prefeito Mário Tassinari
sempre foi e continua sendo mal assessorado, sendo presa fácil e sempre
derrotado em todas as batalhas da guerra de informações sobre demandas da
população e apresentação de informações de governo para a população.
O prefeito Mario Tassinari vive sendo, hoje em dia, saco de pancadas das
narrativas de vereadores, ou até mesmo opiniões em massa da população nas redes
sociais, influenciadas até por quem não tem domínio completo da gestão das
narrativas e informação dentro do cenário político municipal.
A assessoria de comunicação indicada pelos prefeitos é, sem dúvida, amadora e
frágil, sem nenhuma habilidade de leitura política e previsão de fatores que
podem reverter contra ou a favor do prefeito politicamente. Todo esse jogo de
xadrez de informação e controle de narrativas sempre causou danos,
principalmente à reputação dos prefeitos, pois, ao contrário dos vereadores, os
prefeitos são as figuras de expressão política que têm muito mais a perder,
pois têm muito mais poder e, consequentemente, obrigação de atender às
reivindicações da população. A inércia do prefeito resulta em descontentamento
e reclamações em série dos cidadãos. Por outro lado, a falta de comunicação de
qualidade do prefeito com seu público significa que, por mais que ele faça,
nada está bom para o povo.
Os ex-prefeitos Roberto Comeron e Luiz Cavani, bem como a Câmara Municipal,
passaram dois mandatos inteiros como reféns de um único spin doctor que
centralizou todas as narrativas e informações sobre a política municipal,
ancoradas em uma única base de rede social, destruindo até mesmo a imprensa
chapa branca da época, que sempre foi subserviente aos prefeitos. Esse foi o
período em que a política de Itapeva passou pela dominação e primeiro impacto
das estratégias do chamado Xadrez 4D na comunicação de acontecimentos políticos
de interesse da coletividade.
Essa centralização de narrativas nas mãos de um único polo de irradiador de
informações poderia ter ficado mais tempo dominando o espaço da comunicação
política municipal, mas notoriamente o prefeito Mário Tassinari fez questão de
menosprezar a figura do spin doctor que tinha à disposição, tornando esse
modelo de comunicação inoperante em seu governo. Esse foi um dos erros dele na
comunicação que ele emprega desde então.
Na política, assim como no jogo de xadrez tradicional, é fundamental antecipar
os movimentos do adversário. No tabuleiro, há um número limitado de peças e de
movimentos; porém, as combinações possíveis beiram ao incalculável e têm um
objetivo claro: o xeque-mate político e eleitoral.
Com o uso maciço de propaganda e comunicação política nas redes sociais pelos
próprios políticos, as narrativas se tornaram ponto central de confrontos de
opiniões, sem que isso corresponda integralmente à natureza real dos fatos que
são abordados. O único antídoto para evitar a avalanche de opiniões mal
elaboradas por desinformação provocada por narrativas e fake news é apostar em
sites e canais de imprensa e jornalismo credenciados, como aliado e ferramenta
de comunicação do político perante a sociedade.
No jogo de xadrez 4D, ou seja, os movimentos das peças no tabuleiro são apenas
uma pequena parte do que nós vemos, e, por detrás de tudo isso, existem as
intenções da pessoa ao movimentar narrativas.
Vamos a um exemplo prático desse jogo: em Itapeva, recentemente a vereadora
Débora Marcondes fez um vídeo que causou polêmica e desgaste contra o prefeito
Mário Tassinari. A vereadora criou uma narrativa falaciosa, difundindo sem
nenhuma informação real de que o prefeito estava causando um prejuízo para o
município, alegando que iria fechar o terminal rodoviário intermunicipal para
construção de uma nova rodoviária em outro local da cidade. A vereadora lançou
o prefeito na fogueira com a narrativa, mas foram os receptores da narrativa
que, até agora, seguem alimentando a fogueira em que o prefeito está sendo
queimado.
Em primeira análise, o erro por se tornar vítima de uma narrativa ardilosa de
adversários políticos é do próprio prefeito, pois ele faz questão de ser mal
assessorado no departamento de comunicação. Ao invés de comunicar e antecipar o
conteúdo do assunto, apresentando o projeto para a população com todos os seus
benefícios, a assessoria do prefeito simplesmente encaminhou o projeto à Câmara
Municipal, sem detalhar o assunto perante os maiores interessados na conquista:
a própria população.
Em última análise, não é a primeira vez que o prefeito Mario Tassinari, a
exemplo dos seus antecessores, é mastigado e vomitado pela boca do povo de
forma negativa por causa de uma narrativa negativa que influencia as pessoas.
Porém, o atual prefeito é o único incapaz de reverter situações a seu favor. O
motivo é ser incapaz de reconhecer que é pessimamente assessorado no seu
gabinete.
Nesta guerra de narrativas, é preciso, assim como em um jogo de xadrez
tradicional, saber antecipar os movimentos dos adversários, sendo possível
antecipar os atos do adversário e induzir manobras falhas dos adversários. Na
guerra de comunicação, é preciso contar com um general que compreenda as estratégias
de comunicação do mundo político. Resumindo, como disse Sun Tzu, é necessário
conhecer não apenas o inimigo, mas a si próprio para triunfar.
Os prefeitos de Itapeva, isso inclui todos, são péssimos jogadores de xadrez
4D. O atual prefeito arrisca sua reputação ao apostar em um vereador vídeo
repórter que passa informações erradas sobre projetos do governo, chegando ao
ponto de ser denunciado no Ministério Público.
O prefeito mal assessorado discursa e reproduz opinião de assessores
incompetentes sobre pautas de interesse público. O prefeito replica falas de
assessores, que são contraditórios, confusos e desconhecedores dos assuntos que
abordam. O prefeito notoriamente não tem clareza suficiente do que ele
realmente está dizendo quando surge nas redes sociais abrindo os braços para
falar. Com isso, se torna um prato cheio para ser devorado pela oposição semana
após semana.
Ficou bastante notório que o prefeito atua de modo manipulado e sem informações
claras do que precisa conhecer e informar quando aparece em suas peças de
comunicação. O prefeito se tornou uma espécie de garoto propaganda mal treinado
para vender determinado produto, só que o produto é ele mesmo e suas ações como
governante municipal. Isso mostra o quanto é mal assessorado, vivendo refém da
falta de capacidade de coordenação de comunicação política de seus assessores e
conselheiros.
Em breve, se o prefeito Mário Tassinari não decidir trabalhar com quem
realmente entende de comunicação política e imprensa, o xeque-mate no xadrez 4D
será dado. Depois não adianta reclamar que se tornou o espantalho de toda e
qualquer narrativa política de vereadores e redes sociais. Afinal de contas,
quem contratou imprensa de fundo de quintal foi sua assessoria de comunicação,
e isso se refletirá na derrocada política do prefeito...
Tic-tac, o tempo está se esgotando. Agora cabe exclusivamente ao prefeito
escolher sobreviver ou morrer sangrando politicamente até o final do mandato.


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