DIRETO DA CÂMARA — Vereadores debatem a crise administrativa do governo Duch
Logo no terceiro dia de mandato, a prefeita Adriana Duch
Machado anunciou por meio das redes sociais que as ambulâncias do SAMU que
estavam em manutenção mecânica seriam recolocadas em atividade.
A declaração da prefeita foi endossada pela secretária de
Saúde, Valéria Machado, que estipulou um curto prazo de dias para as
ambulâncias estarem em atividade.
Diante desse fato, cabe elucidar que a intenção da prefeita
e secretária estão de acordo com suas funções, cumprindo zelosamente com seus
deveres administrativos.
Entretanto, o que chama atenção é outro fato:
As decisões tomadas pelos gestores públicos de alto escalão são
ineficazes, pois parece esbarrar em falhas de comunicação na engrenagem
administrativa da Prefeitura de Itapeva. Fato que ocorre em todos os governos,
diga-se de passagem.
No caso em comento, conforme explicação de alguns vereadores
em sessão, as ambulâncias não foram recolocadas em atividade diante da falta de
empenho e pagamento ao prestador de serviços de manutenção mecânica, com
contrato com a Prefeitura - por meio de ata de serviços.
O impasse leva a crer que a Secretaria Municipal de Finanças
se tornou uma pedra no sapato de diversos secretários, que por mais que operem
ordens de execução de serviços em tempo hábil, o colega da pasta parece
não ter sensibilidade e habilidade técnica de gestão para dar sequência em
ordens que partem expressamente inclusive da própria prefeita.
A falta de sintonia entre ordenar serviços e liberar os
recursos de execução de serviços, assim como organizar a execução de ações de
forma integrada são o grande tema desde o começo do mandato da prefeita Duch.
Os vereadores notando que há uma evidente falta de sincronia entre discursos de
eficiência e choque de gestão, apontaram uma série de contradições do presente
governo nesse sentido.
O vereador Ronaldo Pinheiro citou a falta de sintonia da
Secretaria de Meio Ambiente e Secretaria de Administração Regional em estarem
articuladas com a Secretaria de Saúde para executar o projeto de limpeza urbana
destinado a prevenção da dengue. O vereador demonstrou que os serviços não
foram executados como eram esperados nos bairros, frustrando a expectativa de
moradores que se mobilizaram colocando seus materiais descartáveis para serem
recolhidos, sem que a equipe da coleta comparecesse no local na data e horários
previstos.
Na mesma direção, o vereador Wilson Roberto Margarido alegou
que é necessário que a prefeita e secretários, apesar de estarem em início de
mandato, sejam capazes de dar respostas rápidas e eficazes atendendo demandas
da população. O vereador destacou que operar serviços prioritários nos setores
de coleta de lixo, zeladoria urbana e atendimento de saúde são a única forma de
não receberem enxurradas de críticas da população e de vereadores.
O vereador Dr Marcelo Poli, ao comentar os graves problemas
de atendimento do SAMU, enfatizou que os problemas de acionamento de
ambulâncias para atendimento emergenciais e execução de serviços de prevenção
contra a dengue são ações programáveis, que se sobrepõem, devendo, portanto,
serem executados de forma técnica, sem que haja possibilidade da necessidade de
improvisos administrativos.
No mesmo sentido, o vereador Paulo Roberto Tarzã reclamou de
que os repasses para Santa Casa foram pagos apenas pela metade, o que criou
transtornos no pagamento de funcionários do hospital.
O pano de fundo de todos esses assuntos foi primeiramente
abordado pela vereadora Áurea, que na manhã de quinta-feira, 20 de fevereiro, flagrou
inúmeros focos de dengue em prédio público municipal. A vereadora encontrou um
depósito de mobiliário inutilizado da Secretaria de Educação lançado em
meio ao mato nas dependências externas da Central de Distribuição. Em gravação,
a vereadora mostrou que existe acúmulo de água parada em cadeiras, armários e
mesas, que ao invés de estarem jogados, poderiam ser reutilizados ou vendidos
em leilão, evitando com essas medidas o desperdício de dinheiro público.
No mesmo local a vereadora encontrou funcionários da
secretaria, ociosos sob argumento de não haver caminhão de transporte para
levá-los ao local onde deveriam cumprir serviços de expediente. Segundo os
relatos dos funcionários, os mesmos, receberam ordens de permanecer na Central
de Distribuição, estando há pelo menos três dias nessa situação.
O caso exige a abertura de processo administrativo, para
averiguar a responsabilidade de quem partiu a ordem para que funcionários
públicos fiquem desocupados em pleno horário de expediente por falta de
equipamentos e meios de trabalharem de acordo com suas funções.
O caso da falta de ambulância que gerou a omissão em
não atender uma emergência no Shopping da Economia na tarde de
quinta-feira, 20 de fevereiro, pode ser considerado como um elemento da causa
da morte de um senhor de 74 anos de idade. O fato estarrecedor com toda certeza
deve ser considerado como fato da negligência administrativa que acarreta
repetidas violações de direitos dos cidadãos que não recebem os serviços
públicos com qualidade que merecem receber como cidadãos e contribuintes do
município.
Diante dessa situação que há semanas colocam a prefeita
Adriana Duch Machado perante impasses no comando administrativo da Prefeitura
de Itapeva, a conclusão de vereadores atesta a existência prematura de uma
crise administrativa instalada no Poder Executivo causada por falhas em
identificar prioridades e tomar decisões corretas em tempo hábil que
atendam demandas urgentes da população.
Em suma, são serviços e demandas que exigem decisões,
recursos e principalmente ações em tempo hábil. Usar o jargão coringa que o
governo está no começo e com dificuldades advindas da gestão passada, não deve
ser a muleta para a equipe de uma prefeita que foi eleita sob o discurso da
eficiência e trabalho árduo, e que afirma ter escolhido o melhor time de
secretários de todos os tempos. Caso contrário, o governo Duch será apenas uma
repetição de discursos vazios sem ações concretas, ao ponto de apenas se tornar
uma variação de peças de marketing de varrer o Calçadão Dr Pinheiro pós eleição.
O povo não quer marketing, o povo quer
resultados. Governo nenhum sobrevive de aparências, a não ser que haja uma
horda de fanáticos como se fosse uma ditadura.
Caso a prefeita ainda não tenha percebido, alguns
secretários estão mais preocupados em demonstrarem que estão no poder tanto na
prefeitura quanto em badalado bar da cidade, porém sem se empenharem
diariamente em encontrar soluções e trabalharem de acordo com as demandas
que recebem diretamente não apenas da prefeita, mas também da população de
Itapeva.
A administração pública precisa apresentar resultados
positivos, deixar de ser a estrutura que presta favores públicos e se
transformar numa máquina que realiza serviços públicos. Para que isso ocorra a
população terá que saber escolher seus líderes, entre aqueles que prometem o
impossível ou aqueles que se comprometem com o possível.

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