Polícia

Pastor de Igreja Evangélica é suspeito por abusar de adolescente em Itapeva

Caso veio à tona após atendimento no CAPS. Jovem segue em acompanhamento em clínica especializada

O caso foi registrado como estupro de vulnerável pela Delegacia Seccional de Itapeva no dia 2 de abril deste ano. A vítima, hoje com 16 anos, relatou ter sido abusada desde os 13 anos por esse indivíduo, que utilizava a fachada de atendimento terapêutico, influência religiosa e controle financeiro para manter domínio sobre a adolescente.

O agressor, segundo consta no boletim de ocorrência, conheceu a vítima durante uma palestra ministrada em uma escola pública de Itapeva. Na época, a adolescente cursava o ensino fundamental. Após a palestra, o homem passou a frequentar a vida da família, dizendo à mãe da jovem que poderia ajudá-la a lidar com as crises de ansiedade crônicas da filha. Apresentando-se como “psicanalista”, iniciou supostos atendimentos terapêuticos nas dependências de uma entidade também no município.

O acusado passou a envolver a menina em atividades religiosas em uma igreja evangélica, para a qual ele a conduzia pessoalmente e onde financiava viagens e acampamentos ligados à congregação. A aproximação foi se estreitando de forma a criar uma relação de dependência emocional e psicológica. A adolescente passou a frequentar a igreja com frequência, com todas as despesas custeadas por ele.

Em um momento posterior, após a jovem ter o celular furtado, o homem lhe entregou um novo aparelho — um iPhone — reforçando a vinculação e o sentimento de dívida emocional. A partir daí, a mãe da vítima passou a perceber mudanças no padrão de comportamento da filha: roupas novas, perfumes caros e consumo constante de alimentos por delivery, o que chamou sua atenção para a possibilidade de haver uma movimentação financeira atípica.

Ao consultar sua conta bancária do banco digital Will Bank, utilizada pela adolescente, a mãe encontrou diversas transferências bancárias realizadas pelo agressor, em valores que variavam entre R$ 200 e R$ 1.000. As evidências financeiras confirmaram a suspeita de que havia um envolvimento além do terapêutico ou religioso.

As crises de ansiedade da jovem se intensificaram nos últimos meses, levando a família a procurar o Conselho Tutelar, que a encaminhou para atendimento especializado no CAPS (Centro de Atenção Psicossocial). Foi durante esse acompanhamento, em ambiente protegido, que a adolescente finalmente conseguiu relatar a realidade dos abusos sexuais. Disse que as relações sexuais com o homem começaram logo após o primeiro contato na escola, quando ela ainda tinha apenas 13 anos de idade, e que se repetiram por inúmeras vezes desde então.

Os profissionais do CAPS acolheram o relato e informaram que a jovem autorizou, por escrito, a análise do conteúdo do aparelho de celular entregue pelo próprio agressor. Segundo as informações repassadas à mãe da adolescente, o celular contém diversas mensagens que comprovam o assédio e os abusos ocorridos ao longo do tempo. Os técnicos da unidade também relataram que o homem impunha um controle ferrenho sobre a rotina da adolescente, vigiando suas redes sociais e proibindo-a de publicar determinados conteúdos.

Atualmente, a adolescente está em acompanhamento em uma clínica especializada na cidade de Votorantim, onde recebe tratamento psicológico e psiquiátrico contínuo. O caso, agora tipificado como estupro de vulnerável (Artigo 217-A do Código Penal), segue sob investigação da Polícia Civil de Itapeva. O inquérito reúne o depoimento da mãe, da vítima, dos profissionais do CAPS e elementos materiais, como as transferências bancárias, o aparelho de telefone e os registros escolares da época da aproximação.

 

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