Frio, barracas vazias e polêmica: feira noturna em Itapeva decepciona público e irrita feirantes
Sem estrutura, atrações ou comida, primeira edição da
feira na Praça Anchieta expõe falta de planejamento e gera críticas de
consumidores e feirantes tradicionais
A primeira edição da feira agrícola noturna realizada na
Praça Anchieta, na sexta-feira, 13 de junho, trouxe à tona um duplo
descontentamento em Itapeva. De um lado, consumidores frustrados com a falta de
estrutura, atrações culturais e opções gastronômicas. De outro, feirantes
tradicionais preocupados com o impacto econômico que a nova modalidade pode
causar nas vendas da tradicional feira de sábado de manhã.
O evento, realizado a céu aberto e com temperaturas abaixo
dos 10°C, foi limitado a algumas barracas de verduras e legumes. A baixa adesão
popular era previsível, mas o que muitos não esperavam era que a iniciativa
reacenderia o debate político iniciado ainda em janeiro deste ano. Naquele mês,
o vereador Thiago Leitão apresentou a Indicação nº 001/2025, aprovada pela
Câmara Municipal e encaminhada à prefeita Adriana Duch Machado, sugerindo a
criação oficial da chamada "Feira da Lua". A proposta previa um formato
mais estruturado, com atrações culturais, food trucks e espaço para artesanato,
visando transformar a praça num verdadeiro ambiente de lazer e fortalecimento
da economia local.
“O objetivo sempre foi criar um ambiente de convivência e
lazer, fortalecendo a agricultura familiar e movimentando a economia da
cidade”, destacou o vereador na época da apresentação da proposta.

No entanto, a feira que foi realizada na última sexta-feira
passou longe desse conceito. Um morador que esteve no local com a família
relatou a decepção: “Sai de casa com a esposa, filho, meu pai e minha mãe
achando que teria algo diferente lá. Achei até uma falta de respeito com os
agricultores que não tinham nem uma tenda, com aquele frio que estava fazendo.
Infelizmente, não ficamos nem cinco minutos lá. Nem um pastel pra comer tinha.
Uma falta de respeito e cuidado com todos que estavam lá.”
Se a insatisfação do público foi evidente, os feirantes
tradicionais também não esconderam o incômodo com a execução da feira noturna.
Segundo eles, a realização do evento nas noites de sexta-feira, sem as mesmas
exigências de estrutura e custos que enfrentam na feira de sábado, representa
uma concorrência desleal. O argumento principal é que os produtores da
agricultura familiar, que participaram da edição noturna, não arcam com as
mesmas despesas de transporte, taxas municipais ou impostos cobrados dos feirantes
regulares.
“Enquanto a gente paga transporte, monta barraca, paga
imposto e ainda madruga pra estar na feira de sábado, eles vendem à noite, sem
os mesmos custos, e com preços mais baixos. Isso desequilibra completamente o
mercado e pode prejudicar nossas vendas no dia seguinte”, reclamou um
comerciante que atua há mais de uma década na feira municipal.
O temor dos feirantes é que, caso a feira noturna continue
sendo realizada da forma como ocorreu, a feira tradicional de sábado perca
público e sofra queda nas vendas. Muitos afirmam que não são contra a ideia de
uma feira à noite, desde que haja regras claras e igualdade de condições entre
todos os participantes.
Até o fechamento desta edição, a Prefeitura de Itapeva não
havia se pronunciado oficialmente nem sobre as críticas dos consumidores, nem
sobre as reclamações dos feirantes regulares. Também não há informações
concretas sobre a adoção, ou não, da proposta original da "Feira da
Lua", apresentada em janeiro pelo Legislativo municipal.
O que fica evidente, por enquanto, é que a primeira
tentativa de promover uma feira noturna em Itapeva terminou servindo como
alerta: sem estrutura, sem planejamento e sem diálogo com os envolvidos,
dificilmente o projeto alcançará o objetivo de fortalecer a agricultura
familiar e impulsionar a economia local.
Imagem: Giro Itapeva

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