Prefeitura de Bom Sucesso de Itararé tenta driblar denúncias e propõe a troca de nome de coordenadores para secretários
Projeto de Lei Complementar enviado à Câmara visa
transformar cargos comissionados em secretarias, em meio a acusações de
nepotismo e favorecimento político; população é convocada a acompanhar votação
A Prefeitura de Bom Sucesso de Itararé encaminhou à Câmara
Municipal o Projeto de Lei Complementar nº 05/2025, que propõe mudanças na
estrutura administrativa do Executivo. Entre os principais pontos do texto,
assinado pelo prefeito Dirceu Pacheco de Oliveira, está a transformação dos
atuais cargos de Coordenador Geral em Secretário Municipal. A justificativa
oficial alega adequações sugeridas pelo Ministério Público e pelo Tribunal de
Contas, mas o projeto despertou desconfiança entre vereadores e parte da
população, por supostamente tentar preservar cargos ocupados por aliados e até
por parentes de integrantes do governo.
A proposta chega à Casa Legislativa em um momento de pressão
sobre o Executivo, após denúncias de que cargos de confiança estariam sendo
ocupados por pessoas sem qualificação técnica e com vínculos familiares com
agentes públicos. A mudança de nomenclatura, embora mantenha os subsídios e
funções, pode dificultar o enquadramento jurídico dessas nomeações como
nepotismo, além de blindar os ocupantes de futuras exonerações por
incompatibilidade legal.
Embora o projeto também preveja a criação de cargos efetivos
como Controlador Interno, Contador, Procurador Jurídico, Diretor e Coordenador
Escolar — atendendo apontamentos de órgãos fiscalizadores —, o trecho que
altera a natureza dos cargos comissionados tem sido alvo de críticas. Para
vereadores da oposição, a iniciativa é uma “manobra política para legalizar o
favorecimento pessoal dentro da máquina pública”, em vez de promover uma
verdadeira reforma administrativa.
Na prática, a proposta reforça o modelo de apadrinhamento,
ao passo que não impõe critérios técnicos claros para o preenchimento das
futuras secretarias. Segundo a redação do projeto, os novos secretários
seguirão recebendo os mesmos vencimentos dos atuais coordenadores, incluindo
direitos como 13º salário, férias e adicional de um terço, sem qualquer
ampliação formal das exigências para nomeação.
A população poderá acompanhar presencialmente a sessão
ordinária da Câmara que discutirá o projeto, marcada para esta segunda-feira, 4
de agosto, às 20h. A expectativa é de que os vereadores expliquem seus votos
diante do público, especialmente em relação à mudança que pode consolidar um
modelo político mais fechado e menos técnico.
A proposta tramita em regime normal. Enquanto isso, cresce o
clamor por maior transparência no Executivo municipal. A discussão promete
reacender o debate sobre o uso da estrutura pública para interesses políticos e
familiares, em um cenário que exige cada vez mais comprometimento com a ética,
a impessoalidade e a legalidade no serviço público.

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