Reforma da Escola Acácio Piedade segue paralisada desde 2023, e Prefeitura ainda não anunciou nova data para retomada das obras
Mesmo com placa prometendo entrega até abril de 2025, unidade permanece abandonada desde denúncias feitas na gestão Mário Tassinari sobre o sumiço de madeiras nobres; única manifestação oficial da Prefeitura foi em junho de 2024, sem apresentar solução.
A reforma da Escola Municipal Acácio Piedade, em Itapeva,
permanece paralisada há mais de um ano e meio, sem qualquer sinal de retomada
ou esclarecimento por parte da administração municipal. As obras, iniciadas
ainda na gestão do ex-prefeito Mário Tassinari, foram suspensas após denúncias sobre o desaparecimento de madeiras nobres — como caibros
de peroba rosa e tábuas de assoalho — retiradas da estrutura centenária da
unidade. O episódio resultou na suspensão do contrato da empresa LMM Engenharia
e Serviços Ltda por decisão da própria gestão Tassinari.
Desde então, o prédio segue fechado e sem qualquer movimentação de trabalhadores. Em contraste com o cenário
de abandono, uma placa afixada no local ainda anuncia que a entrega da obra
está prevista para o dia 9 de abril de 2025. Porém, nenhum serviço foi retomado
e a Prefeitura, até o momento, não apresentou um novo cronograma, nem lançou
edital ou ordem de serviço que indique o reinício da reforma.

A única manifestação oficial sobre o caso, veio a público
em junho de 2024, ainda sob a gestão do ex-prefeito Mario Tassinari, por meio
do Ofício nº 893/2024, assinado pelo secretário municipal da Educação, Antonio
Alexandre de Faria. No documento, enviado em resposta à solicitação do
jornalista Maurício Machado Coelho com base na Lei de Acesso à Informação, a
própria Secretaria reconhece que, mesmo após “minuciosa busca”, não foi
possível localizar nenhum documento ou relatório que indicasse o destino das
madeiras. O ofício confirma que a empresa contratada não apresentou os
registros devidos e que, por isso, permanece sob apuração — mas não aponta
qualquer medida concreta de responsabilização, muito menos a retomada das
obras.
As denúncias, registradas ainda em janeiro de 2023 na Câmara Municipal, incluíam
questionamentos sobre a quantidade de material removido da escola, onde
estariam sendo armazenadas as peças, quem era o responsável por sua guarda e se
haveria reaproveitamento dos itens históricos na futura restauração. Nenhuma
dessas perguntas foi respondida com precisão até hoje. A ausência de inventário
e de prestação de contas fere frontalmente os princípios da transparência
pública e pode configurar, inclusive, descumprimento da Lei nº 12.527/2011 (Lei
de Acesso à Informação).
Enquanto isso, para não deixar os alunos desassistidos, a
Prefeitura anunciou em 24 de junho de 2024, coincidentemente no Dia
Internacional da Educação, a incorporação do prédio do antigo Colégio Metodista
ao patrimônio do município. A estrutura, seria um espaço provisório para receber os estudantes da Escola Acácio Piedade. Posteriormente, o local seria destinado aos alunos das
EMEIs Flávia Elsie Ferreira Lima e Elza de Souza Barros.
Apesar da medida emergencial, o problema central segue sem
solução: quando a reforma da Escola Acácio Piedade será retomada? A atual
gestão ainda não se pronunciou sobre a possibilidade de nova licitação,
responsabilização da empresa anterior ou previsão de reinício dos trabalhos. A
obra, que envolve um prédio histórico da cidade, corre o risco de ser esquecida
pela administração pública, tornando-se mais um exemplo de promessas estampadas
em placas, mas rasuradas pela omissão.
Com a ausência de planejamento e comunicação, cresce a
insatisfação da população e de ex-alunos que veem o antigo símbolo da educação
municipal ser devorado pelo tempo e pela burocracia. A indiferença oficial
diante de uma obra tão emblemática levanta um questionamento que permanece sem
resposta: até quando Itapeva aceitará que o abandono se torne regra em vez de
exceção?

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