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Presos auxiliam na reconstrução de escolas destruídas por tornado no Paraná

Programa Mãos Amigas mobiliza detentos do regime semiaberto para limpar escombros e recuperar estruturas de ensino em Rio Bonito do Iguaçu após tragédia climática

O Governo do Paraná deu início, nesta segunda-feira, 10 de novembro, a uma força-tarefa para reconstruir escolas, creches e a Apae de Rio Bonito do Iguaçu, devastadas pelo tornado que atingiu o município na semana passada. A ação integra o programa Mãos Amigas, que utiliza mão de obra carcerária em serviços de manutenção e reparos em unidades da rede estadual. Neste primeiro momento, 14 detentos do regime semiaberto já atuam na cidade, acompanhados por monitores da Polícia Penal. Eles foram selecionados com base em critérios de bom comportamento e baixo grau de periculosidade.

Os presos são oriundos de Guarapuava — quatro da Cadeia Pública de Laranjeiras do Sul e dez da Penitenciária Estadual de Guarapuava. Eles trabalham na retirada de entulhos e na limpeza do Colégio Estadual Ludovica Safraider, uma das estruturas mais atingidas pelo temporal. O ginásio da escola foi completamente destruído e precisará ser reconstruído. Além do grupo inicial, outros 16 detentos da regional de Cascavel devem se somar aos trabalhos a partir desta terça (11), divididos em equipes supervisionadas por policiais penais. O governador Carlos Massa Ratinho Junior afirmou que o objetivo é acelerar a retomada das aulas: “Queremos ser rápidos nisso para que, em breve, as crianças e adolescentes voltem para a escola”.

Criado pelo governo estadual, o Mãos Amigas é pioneiro no país ao unir reinserção social e valorização de espaços públicos. Detentos que participam do programa aprendem novas habilidades e têm direito à redução de pena: a cada três dias de trabalho, um dia a menos no cumprimento da sentença. Apenas em 2025, o programa já atuou em 427 escolas estaduais, com mais de dois mil serviços concluídos. “Essa ação contribui para um clima de solidariedade e ajuda mútua tanto para os estudantes quanto para os apenados”, destacou o secretário da Segurança Pública, Hudson Leôncio Teixeira.

Para garantir agilidade nas obras emergenciais, o Estado liberou recursos via Fundo Rotativo — R$ 50 mil para o Colégio Estadual Ireno Alves dos Santos e R$ 25 mil para o Colégio Estadual Ludovica Safraider. Engenheiros do Fundepar e técnicos do Núcleo Regional de Educação fazem o levantamento dos danos para definir as próximas etapas da reconstrução, que dependem da conclusão da limpeza dos espaços para a avaliação estrutural definitiva.

Com o apoio da mão de obra prisional, o Paraná busca transformar a tragédia em oportunidade de recomeço — para as escolas atingidas e para os próprios detentos. Nas ruas de Rio Bonito do Iguaçu, pá e enxada representam mais que ferramentas: são instrumentos de reconstrução de prédios, rotinas e esperanças.

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