Pacientes denunciam interrupção de tratamentos odontológicos, prejuízos de até R$ 43 mil e possível coação em Itapeva
Grupo com ao menos 23 pacientes já acionou o Ministério Público e registra boletins de ocorrência; atendimentos foram interrompidos sem aviso formal
Um grupo de pacientes de uma clínica odontológica localizada na região central de Itapeva procurou o Jornal No Alvo para denunciar uma sequência de fatos que envolvem interrupção de tratamentos, demissão de profissionais, cobranças indevidas, falta de comunicação oficial e prejuízos financeiros que variam de R$ 2 mil a R$ 43 mil.
Segundo os relatos, procedimentos odontológicos — alguns iniciados há anos — foram interrompidos de forma abrupta, sem aviso prévio aos pacientes. Há casos de pessoas que aguardam a conclusão do tratamento há até quatro anos, convivendo com dor, constrangimento, abalo emocional e gastos adicionais para buscar atendimento em outras clínicas.
No dia 10 de dezembro, pacientes encontraram a clínica fechada, sem qualquer comunicado oficial na porta. No dia seguinte, 11 de dezembro, um grupo retornou ao local e constatou que o estabelecimento estava aberto, porém sem dentistas atendendo e sem qualquer responsável presente. Apenas duas recepcionistas informaram que a unidade estaria “sob nova direção”, sem apresentar documentos ou esclarecimentos formais.
Ainda segundo os pacientes, nenhum aviso estava afixado inicialmente. O comunicado informando um suposto “recesso administrativo” entre 15 de dezembro e 5 de janeiro só teria sido colocado após o grupo deixar o local para registrar ocorrência na delegacia, fato que foi fotografado e anexado às denúncias. Desde então, a clínica permanece fechada.
Os pacientes relatam que dentistas e outros funcionários foram demitidos, inclusive profissionais com quem já mantinham vínculo de confiança. Nenhum paciente afirma ter sido comunicado oficialmente sobre essas mudanças. Informações obtidas pelo grupo indicam que ex-funcionários ingressaram com ações trabalhistas, reforçando o cenário de instabilidade administrativa.
Além dos valores já pagos em contrato, dois pacientes relataram a emissão de boletos bancários sem autorização, o que elevou ainda mais o prejuízo financeiro. A soma dos danos relatados chega a R$ 43 mil em um único caso, segundo documentação apresentada pelo grupo.
Diante da situação, os pacientes ingressaram coletivamente no Ministério Público, com registro de boletins de ocorrência sob o protocolo nº 0295.0000760/2025. O caso está sendo apurado pelas autoridades, inclusive com diligências policiais em andamento. Até o momento, 23 pacientes integram formalmente o grupo de lesados, número que cresce a cada dia.
Pacientes também relatam episódios de coação e intimidação, incluindo o envio de notificações extrajudiciais a pessoas que passaram a relatar os fatos publicamente. Segundo os denunciantes, as providências legais já estão sendo tomadas e novos boletins de ocorrência foram registrados para apurar esse tipo de conduta.
Recentemente, alguns pacientes relataram ter recebido propostas de ressarcimento parcelado, com valores considerados insuficientes para cobrir os custos reais de finalização dos tratamentos em outras clínicas. Segundo os relatos, as próprias mensagens recebidas indicariam que a unidade local não teria condições de dar continuidade aos atendimentos, o que também deverá ser analisado pelas autoridades.
Especialistas ouvidos informalmente pelo grupo orientam que pacientes solicitem orçamentos independentes, preferencialmente de mais de uma clínica, para documentar o custo real da conclusão dos procedimentos, evitando novos prejuízos.
O Jornal No Alvo reforça que não faz juízo de culpa, limitando-se a relatar os fatos apresentados pelos pacientes, todos amparados por documentos, registros fotográficos, mensagens e protocolos oficiais. O jornal mantém aberto o espaço para manifestação da empresa, da franquia ou de seus representantes legais, caso desejem apresentar esclarecimentos ou posicionamento.

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