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Márcio Gouveia assume a Secretaria de Cultura e Turismo de Ribeirão Branco

Com trajetória consolidada no teatro e na gestão cultural, novo secretário chega ao município com o desafio de estruturar políticas públicas, integrar educação e cultura e transformar vocação artística em desenvolvimento turístico

Ribeirão Branco inicia um novo capítulo na condução de suas políticas culturais e turísticas. A nomeação de Márcio Gouveia, oficialmente Márcio Roberto Neves, para a Secretaria de Cultura e Turismo do município, marca uma aposta clara na experiência técnica e na vivência prática de quem construiu carreira dentro e fora dos palcos. Conhecido no meio artístico pelo nome que adotou ao longo da vida profissional, Gouveia chega à pasta com um currículo que combina formação, produção cultural, gestão pública e diálogo com a educação — um conjunto raro e necessário para cidades que buscam sair do improviso e estruturar políticas permanentes.

A escolha feita pelo prefeito Tuca Ribas não é apenas administrativa; é política no melhor sentido do termo. Ao optar por um gestor com trajetória reconhecida na cultura regional, a Prefeitura sinaliza que cultura e turismo não serão tratados como áreas acessórias, mas como vetores de identidade, pertencimento e desenvolvimento econômico. Em municípios do porte de Ribeirão Branco, essa decisão costuma separar gestões que apenas cumprem calendário festivo daquelas que constroem legado institucional.

Antes de assumir o desafio em Ribeirão Branco, Márcio Gouveia teve passagem relevante pela Secretaria de Cultura de Itapeva, onde lidou com uma estrutura mais complexa, maior demanda e forte pressão social por resultados. A experiência em Itapeva funcionou como laboratório prático de gestão pública: planejamento, execução orçamentária, articulação com artistas, diálogo com a população e enfrentamento das limitações típicas da administração cultural no interior paulista. É esse repertório que agora desembarca em Ribeirão Branco.

Com registro profissional no Sated, Márcio Gouveia construiu sua base no teatro, atuando como diretor e ator. Esteve à frente da Companhia de Artes Sem Limites por 18 anos, período em que desenvolveu projetos continuados, montagens autorais e ações formativas. Sua atuação não se restringiu aos palcos: como agente cultural do Governo do Estado de São Paulo, percorreu cidades da 16ª Região Administrativa promovendo oficinas de teatro, levando formação artística a locais historicamente afastados dos grandes centros culturais.

Entre os projetos que marcaram sua trajetória está o espetáculo “Paixão de Cristo sob o Olhar de Maria”, iniciativa que dialoga com tradição, religiosidade e linguagem contemporânea, aproximando públicos diversos. Outro ponto relevante foi a integração entre cultura e educação. Ao estabelecer vínculo direto com a rede municipal de ensino, Gouveia promoveu a I Mostra Estudantil Curta de Teatro, envolvendo professores, diretores e alunos em um processo que extrapola o evento em si e cria memória cultural dentro das escolas.

Um episódio frequentemente citado por ele como divisor de águas ocorreu em 2002, na Casa da Cultura Cícero Marques, quando foram realizadas nove sessões teatrais em um único dia, reunindo cerca de duas mil pessoas. O espetáculo, “Uma consulta”, de Arthur Azevedo, sob direção de Márcio Gouveia, demonstrou na prática que há público para teatro quando há planejamento, divulgação e respeito à inteligência do espectador. A lição permanece atual: cultura não é ausência de público, é ausência de política pública consistente.

No campo acadêmico, Márcio possui formação superior em Tecnologia em Marketing Digital, uma vantagem estratégica para quem assume também o Turismo. Em tempos de comunicação fragmentada e disputa por atenção, compreender ferramentas digitais, posicionamento institucional e promoção territorial é essencial para transformar patrimônio cultural em ativo turístico. Soma-se a isso sua formação teatral no Núcleo de Artes Cênicas do SESI Sorocaba, que reforça a base técnica de sua atuação.

Entre 2017 e 2019, Gouveia atuou como assessor parlamentar do então deputado estadual Ulysses Tassinari, experiência que ampliou sua leitura institucional e seu trânsito entre Executivo e Legislativo. Esse conhecimento será determinante para dialogar com conselhos, captar recursos, elaborar projetos e navegar pelos caminhos formais que sustentam políticas culturais duradouras.

Desde dezembro de 2019, Márcio já vinha ocupando a Secretaria de Cultura e Turismo, e agora tem sua permanência confirmada, garantindo continuidade administrativa — fator frequentemente negligenciado e que costuma comprometer projetos de médio e longo prazo. Em Ribeirão Branco, a expectativa é que essa estabilidade permita avançar na organização do calendário cultural, na valorização de artistas locais, na preservação da memória e na integração do turismo com a economia criativa.

O foco, a partir de agora, é Ribeirão Branco. Um município com identidade própria, tradições enraizadas e potencial ainda pouco explorado no campo cultural e turístico. A missão do novo secretário será equilibrar respeito à cultura local com inovação, evitando tanto o engessamento quanto a descaracterização. Cultura não se impõe; se constrói com escuta, técnica e participação social.

Ao assumir oficialmente a pasta, Márcio Gouveia recebe cumprimentos de diferentes setores. O gesto do prefeito Tuca Ribas, descrito por aliados como “gol de placa”, reflete uma leitura estratégica da administração: investir em quadros técnicos, com histórico e compromisso, em vez de indicações meramente políticas. Em tempos de orçamentos enxutos e cobranças crescentes, essa escolha tende a produzir resultados mais sólidos.

Ribeirão Branco, portanto, não apenas anuncia um novo secretário. Anuncia uma intenção. A de tratar cultura e turismo como políticas públicas estruturantes, capazes de formar cidadãos, movimentar a economia e preservar a história local. A partir de agora, os holofotes se voltam menos para o currículo — já conhecido — e mais para a execução. O palco está montado. E o roteiro, desta vez, será escrito junto com a população.

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