Lula veta projeto que reduziria penas de Bolsonaro e condenados por atos golpistas
Decisão foi anunciada em cerimônia que marcou três anos do 8
de Janeiro; Congresso pode derrubar o veto e recolocar texto em vigor
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou integralmente,
nesta quinta-feira, 8 de janeiro, o projeto de lei que previa a redução das penas
aplicadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro e a outros condenados por
envolvimento na tentativa de golpe de Estado e nos atos de vandalismo de 8 de
janeiro de 2023. Conhecida como PL da Dosimetria, a proposta havia sido
aprovada pelo Congresso no fim do ano passado e é vista pelo Planalto como um instrumento
de enfraquecimento da responsabilização penal por crimes contra o Estado
Democrático de Direito.
A assinatura do veto ocorreu durante cerimônia no Palácio do
Planalto que relembrou os três anos das invasões às sedes dos Três Poderes, em
Brasília. O gesto foi celebrado por aliados do governo e por representantes de
instituições que participaram do evento, marcado por discursos em defesa da
democracia e críticas a iniciativas que, segundo o presidente, poderiam atender
a “caprichos políticos” e relativizar decisões judiciais.
Apesar do veto, a palavra final ainda caberá ao Legislativo.
Deputados e senadores poderão manter ou derrubar a decisão presidencial em
sessão do Congresso. Para que o veto seja rejeitado, são necessários ao menos
257 votos na Câmara e 41 no Senado. Lideranças da oposição já sinalizaram que
irão articular a derrubada, sob o argumento de que o projeto buscaria corrigir
distorções na dosimetria das penas impostas pelo Judiciário.
O texto vetado previa mudanças significativas. Entre elas, a
criação de mecanismos para acelerar a progressão de regime para condenados por
crimes contra o Estado Democrático de Direito, a redução de até dois terços da
pena para vândalos considerados de menor periculosidade e a absorção do crime
de tentativa de abolição do Estado pelo de tentativa de golpe, quando houvesse
condenação simultânea. Também estabelecia que réus do 8 de Janeiro poderiam
pleitear o regime semiaberto após cumprir 16% da pena, ante os 25% exigidos
atualmente.
Bolsonaro foi condenado a mais de 27 anos de prisão e cumpre
pena em unidade da Polícia Federal, em Brasília. Outros integrantes do chamado
“núcleo crucial” da trama golpista também foram sentenciados, entre
ex-ministros e ex-comandantes militares, enquanto parte dos réus cumpre prisão
domiciliar ou regime aberto. Há ainda investigados fora do país, considerados
foragidos pela Justiça brasileira.
Caso o Congresso derrube o veto e o projeto seja promulgado,
o tema poderá parar no Supremo Tribunal Federal. Partidos políticos, a
Procuradoria-Geral da República e o próprio governo têm legitimidade para
questionar a constitucionalidade da norma. Caberá então à Corte decidir se a
eventual lei respeita a Constituição ou se deverá ser anulada, reacendendo o debate
jurídico e político em torno da responsabilização pelos atos que marcaram o 8
de Janeiro.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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