Polícia

Capitão Vilmar Duarte Maciel reforça que preparo técnico é decisivo para frustrar assaltos e orienta população a não reagir

A resposta rápida de um policial militar de folga, que frustrou um assalto a uma farmácia na área central de Itapeva, reacendeu um debate recorrente: até que ponto a preparação técnica, o treinamento contínuo e a prudência da população podem reduzir os riscos da criminalidade urbana? Para tratar do episódio e, sobretudo, orientar a população sobre como agir em situações de risco, o Jornal No Alvo ouviu o Capitão PM Vilmar Duarte Maciel, atual Coordenador Operacional Interino do 54º BPM/I e Mestre em Ciências Policiais em Segurança Pública. Na entrevista a seguir, o oficial detalha a atuação do policial, esclarece limites de reação por parte de civis e reforça medidas preventivas que podem fazer diferença no cotidiano.

Jornal No Alvo: Capitão, tivemos em nossa cidade um assalto frustrado, no qual um policial agiu e surpreendeu os criminosos. Como o senhor avalia essa ocorrência?

Capitão PM Vilmar Duarte Maciel: Sim. O policial militar agiu de forma absolutamente profissional, valendo-se de técnica e procedimento adequados à situação. A intervenção foi precisa e resultou na prisão dos criminosos, além de impedir a consumação do assalto à farmácia em nossa cidade. Trata-se de uma atuação que demonstra preparo, equilíbrio emocional e conhecimento técnico.

Jornal No Alvo: É importante destacar que nem todos podem adotar uma atitude semelhante, correto?

Capitão: Exatamente. É fundamental compreender que esse tipo de intervenção exige formação específica e treinamento constante. Nossos policiais militares passam por rigorosos ciclos de capacitação ao longo de todo o ano. Segurança pública é atividade técnica, que demanda preparo físico, psicológico e jurídico. Não há espaço para improviso ou amadorismo, pois qualquer conduta inadequada pode colocar em risco a própria vida e a de terceiros.

Jornal No Alvo: Quais recomendações o senhor faz à população quanto à segurança durante compras?

Capitão: É essencial que a população mantenha atenção redobrada, mesmo dentro de estabelecimentos fechados, como farmácias e lojas. Embora esses locais contem, em regra, com monitoramento por câmeras e maior circulação de pessoas, furtos e roubos podem ocorrer. A sensação de segurança não pode gerar descuido.

Jornal No Alvo: Em quais momentos é necessário estar mais alerta?

Capitão: A atenção deve ser constante, mas especialmente após datas de pagamento de salários, quando há maior movimentação no comércio e maior fluxo de pessoas nas ruas. Esses períodos, infelizmente, costumam atrair a ação de criminosos oportunistas.

Jornal No Alvo: E quanto ao estacionamento de veículos?

Capitão: Ao estacionar, é indispensável fechar completamente os vidros, travar as portas e evitar deixar objetos à vista no interior do veículo. Sempre que possível, optar por locais iluminados e com maior circulação de pessoas. Evitem estacionar em áreas ermas ou inadequadas.

Jornal No Alvo: No momento de pagar, há alguma orientação específica? Dinheiro, cartão ou PIX fazem diferença?

Capitão: Independentemente da forma de pagamento — dinheiro, cartão ou PIX — o importante é agir com discrição. Evitem expor grandes quantias em espécie e mantenham atenção às pessoas ao redor durante a transação. Cada cidadão deve escolher a forma de pagamento com a qual se sinta mais seguro, mas sempre adotando cautela.

Jornal No Alvo: Em caso de assalto, qual deve ser a postura da vítima?

Capitão: A orientação é clara: não reagir. A reação pode agravar a situação e colocar em risco vidas. A preservação da integridade física deve ser prioridade absoluta. A prevenção é o melhor caminho para garantir compras mais tranquilas e seguras.

Jornal No Alvo: Ao chegar a um local e perceber algo suspeito, como proceder?

Capitão: É fundamental manter atenção ao entorno. Se houver qualquer indício de situação anormal — movimentação estranha, indivíduos em atitude suspeita — a recomendação é não entrar no estabelecimento e acionar imediatamente a Polícia Militar pelo telefone 190. A comunicação rápida é decisiva.

Jornal No Alvo: Suas considerações finais, Capitão?

Capitão: A população pode e deve contar com a Polícia Militar do Estado de São Paulo, uma instituição com quase dois séculos de história, comprometida em proteger vidas, garantir a aplicação da lei e promover a paz social. Nosso trabalho é permanente e pautado pelo profissionalismo.

A entrevista evidencia um ponto central: segurança pública é responsabilidade compartilhada. De um lado, a atuação técnica das forças policiais; de outro, a prudência da população. Em tempos de crescente circulação de pessoas e intensificação das atividades comerciais, informação e cautela continuam sendo as melhores aliadas da prevenção.

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