Natural de Itararé, Dom Mário Antônio da Silva é nomeado novo arcebispo de Aparecida pelo Papa Leão XIV
Religioso de 59 anos deixa a Arquidiocese de Cuiabá para
assumir uma das mais influentes sedes da Igreja Católica no Brasil, em sucessão
a Dom Orlando Brandes
O Papa Leão XIV oficializou nesta segunda-feira, 2 de março, a
nomeação de Dom Mário Antônio da Silva como novo arcebispo da Arquidiocese de
Aparecida, no interior paulista. Aos 59 anos, o religioso, natural de Itararé (SP) e atualmente à frente da Arquidiocese de Cuiabá, assume o posto após o
pedido de renúncia apresentado por Dom Orlando Brandes, que completará 80 anos
em 2026. A escolha foi anunciada pelo Vaticano com a tradicional saudação
bíblica — “Bendito o que vem em nome do Senhor” — marcando o início de uma
transição em uma das sedes episcopais mais simbólicas do catolicismo
brasileiro.
Dom Mário será o sexto arcebispo de Aparecida, cuja
jurisdição abrange os municípios de Aparecida, Guaratinguetá, Lagoinha, Potim e
Roseira, reunindo 18 paróquias e uma capelania militar. A arquidiocese tem como
igreja-mãe o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, principal centro de
peregrinação católica do país e um dos maiores do mundo, dedicado à Padroeira
do Brasil. O peso institucional do cargo transcende os limites do Vale do
Paraíba: as celebrações realizadas no Santuário são transmitidas nacionalmente
por emissoras católicas e plataformas digitais, projetando a voz do arcebispo
para milhões de fiéis e, não raro, inserindo suas manifestações no debate
público.
Nascido em 17 de outubro de 1966, em Itararé, Dom Mário
cresceu em família católica e iniciou a formação sacerdotal no Seminário Maior
Divino Mestre, na Diocese de Jacarezinho (PR). Ordenado padre em 1991,
aprofundou os estudos em Roma, onde concluiu mestrado em Teologia Moral pela Pontifícia
Universidade Lateranense. Em 2007, foi nomeado bispo auxiliar da Arquidiocese
de Manaus; em 2015, assumiu como bispo diocesano de Diocese de Roraima. Já em
fevereiro de 2022, foi designado arcebispo metropolitano de Cuiabá pelo papa
Francisco. Atualmente, também preside a Cáritas Brasileira, entidade de atuação
nacional voltada à promoção da solidariedade e ao atendimento de populações em
situação de vulnerabilidade socioambiental.
A Arquidiocese de Cuiabá destacou, em nota, o perfil
pastoral do religioso, descrevendo-o como um pastor de escuta atenta e postura
acolhedora, comprometido com a dignidade humana e com a dimensão social da fé.
A avaliação ecoa uma linha de atuação que ganhou relevo em seu período à frente
da Igreja mato-grossense, especialmente em temas ligados à justiça social e à
promoção humana. A transferência para Aparecida, segundo o Vaticano, deverá
ocorrer dentro de dois meses, prazo destinado à organização da sucessão e à
preparação da posse canônica.
Erigida em 19 de abril de 1958, a Arquidiocese Metropolitana
de Aparecida consolidou-se, ao longo de mais de seis décadas, como polo
estratégico da Igreja no Brasil, tanto pela centralidade da devoção mariana
quanto pela capacidade de mobilização de romeiros de todas as regiões do país.
A substituição de Dom Orlando Brandes, que liderou a arquidiocese por uma
década, encerra um ciclo e inaugura outro sob a condução de um arcebispo
formado no interior paulista e com trajetória consolidada na Amazônia e no Centro-Oeste.
Ao assumir a cátedra de Aparecida, Dom Mário não apenas herda uma tradição, mas
também a responsabilidade de conduzir a principal vitrine pastoral da Igreja
brasileira em tempos de intensa exposição pública e renovados desafios sociais.

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