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Após diagnóstico de Síndrome de Down da filha ainda na gestação, pai cria fundação que acolhe famílias e promove inclusão em Capão Bonito

Fundação Elisa Melikardi Simongini, que completa um ano em outubro, já atende 26 pessoas e oferece apoio psicológico, orientação às famílias e ações para ampliar oportunidades de inclusão em todo o Brasil

O diagnóstico da Síndrome de Down da pequena Elisa ainda durante a gestação transformou a vida da família Simongini e deu origem a um projeto que hoje ultrapassa os limites de Capão Bonito, no Sudoeste Paulista. Movido pelo desejo de oferecer acolhimento a outras famílias que enfrentam o mesmo momento de incertezas, o empresário Evandro Simongini fundou a Fundação Elisa Melikardi Simongini (FEMS), organização que se apresenta como a primeira fundação digital do país voltada ao atendimento e à inclusão de pessoas com Trissomia do Cromossomo 21 (T-21).

Com sede em Capão Bonito e atuação nacional por meio de plataformas digitais, a fundação completará um ano de atividades em outubro. Atualmente, a instituição acompanha 26 pessoas e presta atendimento gratuito, oferecendo suporte psicológico, orientação às famílias e assistência personalizada conforme a necessidade de cada caso. A iniciativa nasceu da experiência vivida por Evandro e sua esposa, Rafaela, que decidiram transformar a notícia recebida durante a gravidez em uma missão de acolhimento e solidariedade.

Segundo Evandro, a proposta da fundação é estar presente desde os primeiros momentos após o diagnóstico, quando muitas famílias ainda enfrentam medo, insegurança e dúvidas sobre o futuro. Para ele, o apoio emocional nesse período é fundamental para mostrar que a chegada de uma criança com T-21 representa uma nova realidade, mas não impede uma vida plena, repleta de possibilidades e conquistas. O trabalho é desenvolvido de forma individualizada, respeitando as necessidades de cada pessoa atendida, independentemente da idade.

Além do acompanhamento psicológico, a fundação atua em situações emergenciais. Um dos exemplos ocorreu quando uma criança assistida precisou permanecer internada após uma cirurgia cardíaca em Sorocaba e a família enfrentou dificuldades para conseguir fraldas durante a internação. A mobilização da equipe permitiu que o material fosse providenciado no mesmo dia. Em outro caso, uma mulher de 26 anos com Síndrome de Down, que apresentava sinais de depressão após deixar o ambiente escolar, passou a receber atendimento psicológico disponibilizado pela instituição.

A inclusão social e profissional também faz parte dos pilares da FEMS. Entre as iniciativas está o projeto "Café Sensorial", realizado em parceria com empresas para conscientizar empregadores sobre a importância de oferecer oportunidades de trabalho às pessoas com deficiência. A proposta é incentivar contratações não apenas para o cumprimento de cotas legais, mas como reconhecimento das capacidades e do potencial de cada indivíduo. A iniciativa já foi levada para cidades como Maringá (PR), Paraguaçu Paulista e São José dos Campos (SP), fortalecendo a discussão sobre diversidade e inclusão no mercado de trabalho.

Para os próximos meses, a fundação prepara novas atividades em parceria com instituições e empresas da região, buscando promover momentos de lazer, convivência e integração entre pessoas com e sem deficiência. A proposta é ampliar a inclusão para além dos grupos específicos, incentivando relações naturais entre pessoas neurotípicas e atípicas em atividades do cotidiano. Com atuação digital e atendimento aberto a famílias de qualquer região do país, a Fundação Elisa Melikardi Simongini busca consolidar um trabalho pautado pelo acolhimento, pela informação e pela construção de uma sociedade mais inclusiva.

Colaborou:g1
Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

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