Fechamento de quase 300 lojas provoca demissão relâmpago de 1,9 mil funcionários na Casas Bahia
Reestruturação nacional da varejista atinge unidades em diferentes estados; no interior paulista, lojas encerraram atividades, enquanto a unidade de Itapeva segue funcionando normalmente
O Grupo Casas Bahia promoveu uma das maiores reduções de sua estrutura física dos últimos anos e fechou 298 lojas em diferentes regiões do país entre quinta-feira (13) e esta sexta-feira (14). A medida faz parte de um amplo processo de reestruturação financeira e operacional da companhia e já teria provocado aproximadamente 1,9 mil demissões, segundo informações divulgadas pela revista Veja. A estimativa é de que o número de desligamentos possa chegar próximo de 3 mil trabalhadores após a conclusão dos ajustes.
No interior paulista, os efeitos da decisão chegaram a cidades importantes da região. Em Itapetininga, a unidade localizada na Rua Campos Sales, uma das principais vias comerciais do município, encerrou suas atividades. O fechamento integra a nova estratégia da companhia de reduzir despesas com lojas físicas em meio ao crescimento das vendas pelos canais digitais e às dificuldades financeiras enfrentadas pelo grupo.
A situação também foi registrada em Ourinhos, onde a loja instalada na Rua Paraná, no Calçadão, fechou as portas nesta sexta-feira. A unidade possuía dez funcionários: sete tiveram os contratos rescindidos e três foram remanejados para outra loja das Casas Bahia que continua funcionando no município. Mercadorias do estabelecimento fechado também começaram a ser transferidas para a unidade mantida pela empresa.
Em Itapeva, no entanto, a situação é diferente. A unidade das Casas Bahia não foi fechada e segue funcionando normalmente. A manutenção da loja é relevante para o município, considerando a importância de Itapeva como polo comercial do Sudoeste Paulista e a quantidade de consumidores de cidades vizinhas que utilizam o comércio itapevense para compras de móveis, eletrodomésticos e outros produtos.
Os fechamentos acontecem em meio a uma situação financeira delicada enfrentada pelo Grupo Casas Bahia. No primeiro trimestre de 2026, a companhia registrou prejuízo próximo de R$ 1,1 bilhão, enquanto o resultado acumulado de 2025 apontou perdas próximas de R$ 3 bilhões. A empresa também vem realizando medidas para reorganizar suas dívidas e melhorar a geração de caixa, após passar por um processo de recuperação extrajudicial envolvendo bilhões de reais em obrigações financeiras.
Ao mesmo tempo em que reduz sua presença física, a Casas Bahia registra crescimento nas vendas realizadas pela internet. No primeiro trimestre, as vendas digitais de produtos próprios avançaram cerca de 26%, enquanto as lojas físicas apresentaram retração. Os números indicam uma mudança no modelo de operação da companhia, que historicamente construiu sua presença nacional por meio de grandes redes de lojas instaladas principalmente em áreas centrais das cidades.
O impacto, entretanto, ultrapassa os balanços empresariais. O fechamento de unidades tradicionais representa perda de empregos, redução do movimento em corredores comerciais e desocupação de imóveis em áreas valorizadas dos municípios.

Deixe um comentário