Política

DIRETO DA CÂMARA - “Cadê o SOS Itapeva?” Tarzan cobra ação para famílias que enfrentam fome, falta de remédios e moradia precária

Vereador questionou prioridades, cobrou ação para famílias vulneráveis, criticou a falta de projetos habitacionais e afirmou que Itapeva precisa olhar para os próprios problemas; sessão também teve cobranças por recursos, saúde, obras e pela SP-258

“Terminou o SOS Itararé, vamos fazer o SOS Itapeva.” A frase do vereador Tarzan resumiu o momento mais contundente da sessão da Câmara de Itapeva na noite de segunda-feira (31). Sem rodeios, o parlamentar afirmou que há moradores passando fome, famílias sem dinheiro para comprar medicamentos e casas onde, segundo ele, “chove dentro” há anos. Tarzan deixou claro que não se posicionava contra a mobilização solidária destinada a Itararé após o temporal que atingiu aquele município, mas cobrou que a mesma disposição para ajudar seja demonstrada diante das dificuldades existentes dentro de Itapeva.

A fala foi direta: “Depois desse SOS Itararé, eu quero ver o SOS Itapeva”. Tarzan afirmou que a cidade estaria “tapando com a peneira” problemas sociais antigos e questionou por que situações de pobreza e precariedade habitacional permanecem sem uma resposta mais efetiva. Citou moradores convivendo com infiltrações e chuva dentro de casa e também criticou o alcance da assistência alimentar, dizendo que a cesta fornecida pelo CRAS seria insuficiente diante das necessidades de famílias numerosas. “Aqui é a nossa prioridade”, afirmou.

É uma cobrança que o Executivo precisa responder com números, não com adjetivos. Quantas famílias de Itapeva estão atualmente em situação de vulnerabilidade? Quantas recebem cesta básica? Qual a periodicidade? Quantas aguardam atendimento habitacional? Quantas estão inscritas em programas de moradia? Quantos recursos foram destinados à assistência social em 2026? Tarzan apresentou sua versão da realidade. Cabe agora à Prefeitura demonstrar, com dados, qual é a realidade administrativa.

O discurso ganhou peso porque não ficou restrito à assistência social. Tarzan entrou na questão habitacional e foi duro ao falar da incapacidade de Itapeva em conseguir novos projetos de casas populares. Segundo o vereador, enquanto municípios da região receberam empreendimentos, Itapeva não conseguiu avançar nem no Minha Casa, Minha Vida nem em programas estaduais. Ao falar sobre eventual ajuda do Governo do Estado, resumiu: palavra não basta; é preciso “ato concreto”. Também afirmou que o município já dispõe de área e defendeu recursos para infraestrutura como caminho para viabilizar lote urbanizado e construção por meio de esforço das próprias famílias.

Neste ponto, Tarzan não poupou a própria administração municipal. Disse que Itapeva “não foi competente para fazer nenhum projeto” capaz de garantir moradias pelos programas federal ou estadual. A declaração é politicamente pesada porque parte de um vereador que, embora faça críticas frequentes, não pode ser enquadrado simplesmente no papel de oposicionista automático. Se a avaliação dele estiver errada, a Prefeitura tem todas as condições de apresentar os projetos protocolados, as propostas encaminhadas e as razões técnicas pelas quais Itapeva não foi contemplada. Se estiver certa, existe um problema muito maior do que falta de casa: falta capacidade para buscar a casa.

O “SOS Itapeva”, portanto, não surgiu como frase de efeito isolada. Veio acompanhado de uma lista de problemas: fome, medicamentos, assistência social e habitação. “Nós precisamos fazer o SOS Itapeva logo que encerrar esse SOS Itararé”, insistiu Tarzan. Em seguida, disse que prefere atuar em favor de Santa Casa, moradia, políticas públicas e desenvolvimento, mesmo sem aparecer em fotografias.

E fotografia, convenhamos, nunca faltou à política de Itapeva. O que está em discussão é se atrás das fotografias existem projetos, cronogramas, protocolos e capacidade de execução.

A habitação também apareceu na manifestação da vereadora Áurea. Ela cobrou esclarecimentos sobre o loteamento popular, pediu informações sobre as pessoas classificadas e reclamou da falta de novas reuniões para discutir o assunto. A cobrança foi simples: a população precisa saber se o projeto vai acontecer e quando. “O que nós não podemos mais é ficar enrolando a população”, afirmou durante a sessão.

Na saúde, o vereador Marcelo Poli também partiu para cima do Executivo. Ele relatou reunião realizada na Secretaria Estadual da Saúde e disse que aguardava retorno da prefeita Adriana Duch para avançar em tratativas relacionadas a recursos para cirurgias eletivas. Segundo Poli, mesmo depois da articulação em São Paulo, até aquele momento não havia recebido resposta sobre a reunião necessária. O vereador classificou o episódio como exemplo da demora do Executivo e da dificuldade de diálogo com o Legislativo.

Se existe dinheiro disponível para cirurgia, não deveria existir dificuldade para marcar reunião. O cidadão que está esperando procedimento médico não quer saber quem telefonou para quem, quem convidou quem ou quem ficará na fotografia depois. Quer cirurgia.

Ronaldo Coquinho colocou outro problema na conta da administração. Segundo o vereador, uma emenda parlamentar de R$ 400 mil destinada a infraestrutura, calçamento e pavimentação ainda não havia avançado porque a Prefeitura não teria feito o cadastramento da proposta. Coquinho disse ter procurado integrantes da administração para cobrar rapidez e advertiu para o risco de perda de recursos.

Se depender de esclarecimento do Executivo, melhor que venha rápido. Perder dinheiro por falta de projeto já seria ruim. Perder emenda porque faltou cadastrar seria pior. Deputado conseguir recurso, vereador cobrar recurso e Prefeitura não concluir a burocracia é uma modalidade administrativa que nenhum contribuinte deveria ser obrigado a compreender.

Coquinho também voltou ao velho Centro de Eventos Culturais, obra que atravessa administrações sem chegar ao fim. O vereador cobrou conclusão e afirmou que acompanha repasses federais vinculados ao empreendimento. Segundo sua manifestação, a administração precisa alimentar corretamente os sistemas federais e comprovar a evolução física das obras para garantir a continuidade dos recursos. Uma construção que passa por vários prefeitos e continua esperando inauguração já deixou há muito tempo de ser problema de um governo. Virou patrimônio do fracasso administrativo de sucessivas gestões.

A SP-258 também dominou parte importante da noite. O presidente Marinho Nishiyama apresentou moção cobrando do Governo do Estado medidas de segurança em pontos críticos da rodovia, especialmente nos acessos da Areia Branca, Guarizinho e Buri. A cobrança ganhou dimensão ainda maior depois da morte do jovem Lucas, vítima de acidente nas proximidades do trevo da Areia Branca. Marinho lembrou que pedidos semelhantes já haviam sido apresentados e questionou até quando mortes continuarão acontecendo sem solução definitiva.

Na discussão sobre a duplicação, apareceram prazos, cálculos, contratos, concessões e previsões. Robson Leite relatou informação atribuída ao deputado Ricardo Madalena de que a Motiva já estaria realizando cotações e que as obras poderiam começar em janeiro de 2027. Tarzan apresentou uma leitura mais cautelosa sobre os entraves financeiros e contratuais e cobrou mobilização política real. Documento, lembrou em essência, qualquer um faz. Pressionar governador, secretário e deputados exige outra disposição.

É justamente aí que a sessão de segunda-feira deixa uma fotografia mais interessante da política de Itapeva.

A cidade está entrando na reta decisiva da eleição de 2026. Deputados começam a aparecer. Apoios são declarados. Vereadores escolhem seus candidatos. Surgem fotografias, agendas, compromissos e promessas. Ótimo. Agora é hora de apresentar a conta.

Quem pedir voto em Itapeva precisa dizer o que fará pela SP-258. Precisa falar da Santa Casa. Precisa falar de habitação. Precisa dizer quanto vai destinar para saúde, infraestrutura e assistência social. E vereador que declarar apoio também deve aproveitar a amizade eleitoral para cobrar resultado.

Porque a frase mais importante da noite não saiu de nenhuma planilha. Saiu da tribuna: “Cadê o SOS Itapeva?”. A pergunta é incômoda. E justamente por isso merece resposta.

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