Saúde

Após surto de virose, Câmara de Itapeva abre CEI para investigar qualidade da água da Sabesp

Comissão terá 90 dias para apurar possíveis falhas no tratamento e abastecimento de água; análises apontaram alterações na qualidade, mas concessionária nega irregularidades

A Câmara Municipal de Itapeva instaurou, nesta segunda-feira (26), uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar a qualidade da água distribuída pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). A decisão ocorre após o município registrar mais de 2,6 mil casos de gastroenterite em aproximadamente 20 dias, provocando preocupação entre os moradores e mobilizando autoridades sanitárias. A investigação pretende esclarecer possíveis irregularidades no tratamento, monitoramento e abastecimento de água, além de apurar se existe relação entre o serviço prestado pela concessionária e o surto que atingiu a população.

A comissão foi criada a partir de um requerimento assinado por 11 vereadores e será composta por cinco parlamentares. A primeira reunião está marcada para 4 de novembro, às 14h. Os trabalhos terão prazo inicial de 90 dias, com previsão de conclusão entre o final de fevereiro e o início de março de 2027, considerando o recesso legislativo de janeiro.

A abertura da CEI acontece depois que análises sanitárias identificaram alterações nos parâmetros de cloração, coloração e turbidez da água coletada entre 22 de setembro e 7 de outubro. Segundo informações divulgadas pela Secretaria de Estado da Saúde, foram contabilizados 2.686 casos de gastroenterite entre 24 de setembro e 13 de outubro. A possibilidade de a rede pública de abastecimento constituir uma fonte comum de exposição passou a integrar a investigação epidemiológica. Entretanto, ainda não existe comprovação definitiva de que a água fornecida pela Sabesp tenha provocado os casos. Amostras foram encaminhadas ao Instituto Adolfo Lutz, em Sorocaba, para análises destinadas a esclarecer as causas do surto.

Diante da situação, o Governo do Estado disponibilizou cerca de 40 mil frascos de hipoclorito de sódio a 2,5% para distribuição à população, como medida preventiva para a desinfecção domiciliar da água. O produto está sendo disponibilizado por meio das unidades de saúde, com orientações sobre sua utilização adequada. Paralelamente, a Secretaria Municipal de Saúde reforçou as recomendações de higiene, consumo de alimentos bem cozidos e cuidados com a hidratação. Entre os principais sintomas relatados pelos pacientes estão diarreia, vômitos, náuseas, dores abdominais e febre.

Apesar das irregularidades apontadas nas análises realizadas no âmbito da vigilância sanitária, a Sabesp sustenta que a água distribuída em Itapeva atende aos padrões de potabilidade estabelecidos pelo Ministério da Saúde. Segundo a concessionária, os resultados de suas próprias análises não identificaram anormalidades, e o monitoramento é realizado regularmente na estação de tratamento, nos reservatórios e em diferentes pontos da rede de distribuição. A divergência entre os resultados apresentados pelos órgãos de vigilância e pela empresa deverá estar entre os principais pontos examinados pelos vereadores durante a investigação.

Com a instalação da CEI, a Câmara poderá requisitar documentos, examinar laudos laboratoriais, solicitar informações técnicas e ouvir representantes da Sabesp e dos órgãos responsáveis pela fiscalização sanitária. Além de identificar eventuais falhas no sistema de abastecimento, a investigação buscará esclarecer quais providências foram adotadas desde os primeiros registros de adoecimento e se houve resposta adequada aos questionamentos apresentados pela população. Embora os dados mais recentes indiquem redução dos atendimentos por doenças diarreicas, a origem do surto permanece sob investigação. O principal desafio da comissão será estabelecer, com base em provas técnicas, se houve falha na prestação do serviço e quais responsabilidades poderão ser atribuídas aos envolvidos.

Foto: Arquivo Pessoal

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