Flexibilização em SP contraria especialistas, e Doria dissolve Centro de Contingência
O governador João Doria (PSDB) anunciou a dissolução do
Centro de Contingência do coronavírus após manter as medidas de flexibilização
no estado mesmo sem consenso entre os especialistas do grupo.
Formado em março do ano passado, no início da pandemia, o
grupo com 21 integrantes foi avisado na última sexta (13/8) sobre a reformulação.
A partir de agora, o comitê passará a ter apenas 7 membros.
A mudança não pegou os especialistas de surpresa, já que,
desde o fim do ano passado, muitas das decisões do governador não seguiam as
recomendações e avaliações feitas pelo grupo sobre o quadro epidemiológico no
estado.
A discordância, inclusive, ocorreu com a decisão de Doria de
pôr fim a todas as restrições de horário e ocupação ao comércio e serviços em
São Paulo a partir desta terça (17/8).
O governador não mencionou as divergências como motivo para
redução do grupo, mas afirmou que o momento da pandemia no estado não exige
mais orientação de tantos especialistas. "Não há mais necessidade de
manter uma estrutura com tamanho tão expressivo", disse nesta terça.
A maioria dos integrantes aconselhou o governador a adiar as
medidas ao menos até que 80% da população adulta do estado estivesse vacinada
com as duas doses da vacina, o que deve ocorrer até o fim do ano.
Os especialistas defendem que, com o aumento da presença da
variante delta no estado, é precipitado adotar medidas tão radicais de
relaxamento.
“A abertura nesse momento é muito prematura. A variante
delta está avançando, e vimos o que ela causou em outros países. Nós alertamos
que a vacina não protege 100% contra a delta, ainda mais com a maior parte da
população só com uma dose”, diz o infectologista Marcos Boulos, que integrava o
grupo agora dissolvido.
Mais transmissível e com escape imunológico, a variante
viral levou outros países, como Estados Unidos e Israel, a retroceder no
relaxamento das regras após o aumento de casos.
Além disso, estudos mostram que uma única dose de qualquer
imunizante fornece pouca proteção contra a delta. Em São Paulo, só 28,6% da
população adulta está completamente vacinada.
“Não foi uma dissolução litigiosa, mas, evidentemente, nossa
preocupação com a delta não está na mesma frequência que a tendência de
abertura do governo. A revisão, nesse caso, é natural”, diz o infectologista
Carlos Magno Fortaleza, que foi integrante do centro.
O governador defende que o relaxamento pode ocorrer de forma
segura ao manter a obrigatoriedade de duas medidas no estado: o distanciamento
de 1 metro e o uso de máscara de proteção facial.
No entanto, como é fácil constatar nas ruas e
estabelecimentos da capital paulista, tanto o distanciamento como o uso de
máscara não são adotados por toda a população.
Nesta terça, o governador anunciou que o centro passará a
ser um comitê. “Amanhã [quarta] vamos anunciar os sete nomes do comitê
científico. Eram 21”.
Em nota, o governo de São Paulo informou que a redução do
grupo ocorre "frente à queda de casos, internações e mortes pela
doença" no estado.
Os sete nomes que serão anunciados já compõem o centro de contingência, acrescentou o governador, afirmando que não acrescentará nenhum nome novo ao grupo.
Fonte: Folha de SP

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